Salmo:119.165;

Salmo:119.165; Grande paz têm os que amam a lei de Deus; para eles não há tropeço.

sábado, 22 de setembro de 2012

Culpados em Adão - João Calvino


Não é necessária, para a compreensão desta matéria, a angustiante discussão que tanto atormentou aos antigos: se, uma vez que nela reside capitalmente o contágio, a alma do filho procede da alma paterna por derivação. A nós nos convém estar contentes com isto: haver o Senhor depositado em Adão aqueles dotes que quis conferir à natureza humana. Portanto, quando perdeu os dotes recebidos, aquele os perdeu, não apenas por si só, mas também por todos nós. Quem haverá de estar preocupado acerca da derivação da alma, ao ouvir que esses adereços que veio a perder, Adão os recebera não menos para nós que para si próprio; que eles foram conferidos não a apenas um homem, ao contrário, foram atribuídos a toda a natureza do homem? Portanto, nada há de absurdo se, despojado este, a natureza é deixada desnuda e carente; se aquele, manchado pelo pecado, o contágio serpeia na natureza. Daí, da raiz putrefata brotaram ramos pútridos, que transmitiram sua podridão aos outros rebentos que nasceriam deles. Ora, os filhos foram de tal modo corrompidos no genitor que vieram a ser transmissores da corrupção aos netos, isto é, de tal molde foi o princípio da corrupção em Adão que dos ancestrais se transmite aos pósteros em uma corrente perpétua. Pois o contágio não tem sua causa na substância da carne ou da alma. Pelo contrário, porque fora assim por Deus ordenado, que os dons que concedera ao primeiro homem, ele, a um tempo, os possuísse e os perdesse, tanto para si, quanto para os seus. Refuta-se, porém, facilmente o que os pelagianos sofismam, a saber, não é verossímil que de pais piedosos os filhos derivem corrupção, quando, antes, devem ser santificados pela pureza deles. Ora, não descendem da regeneração espiritual, mas da geração carnal. Daí, como diz Agostinho: “Quer um infiel culposo, quer um fiel inculpável, um e outro não gera inculpáveis, mas culposos, porque os gera de natureza corrupta.” Com efeito, o que, de certo modo, lhes comunicam à santidade é bênção especial do povo de Deus, bênção que, no entanto, não faz com que não prevaleça aquela primeira e original maldição da raça humana. Pois, a culposidade provém da própria natureza; a santificação, contudo, procede da graça supernatural.

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