Salmo:119.165;

Salmo:119.165; Grande paz têm os que amam a lei de Deus; para eles não há tropeço.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Deus oculto e o Deus revelado de Lutero


Por James R. Swan Tratar Lutero acuradamente requer lê-lo de acordo com seus próprios paradigmas teológicos, particularmente um básico entendimento de seu uso do contraste e paradoxo. Lutero frequentemente contrastou a fraca tentativa humana de conhecer Deus e Deus como ele se revelou. Ele abomina especulação filosófica sobre Deus, de tentar conhecer Deus como Ele é em sua majestade pura. Se um ser pecador descobrisse Deus como Ele é em si mesmo, ele iria imediatamente se encolher de medo perante Deus em sua absoluta majestade e santidade. Ele não iria se encontrar confrontando um amoroso avô barbado com braços abertos dando boas vindas a suas criaturas em sua divina presença. Ao invés disto, uma criatura pecadora na presença de Deus seria similar a um inseto se escondendo para não ser esmagado por um imenso e poderoso inimigo. Lutero chama o pedido de Moisés de ver a face de Deus de “o próprio pecado original, pelo qual nós somos impelidos a aspirar por um caminho até Deus através de especulação natural”. Lutero descreve Deus em sua majestade pura como o Deus oculto (deus absconditus). Este Deus tem controle absoluto sobre tudo. Da agenda do Deus oculto, uma criatura finita não pode saber nada. Ele é o Deus que impinge sua “secreta e terrível vontade” que inclui o punimento predestinado de pecadores. Desta vontade secreta, nenhuma criatura deve especular ou inquirir. Em resposta a Erasmo, Lutero explica Deus como oculto e também revelado (deus revelatus): Nós temos que argumentar por um lado sobre Deus ou a vontade de Deus como pregado, revelado, oferecido e adorado, e por outro lado sobre Deus como ele não é pregado, não revelado, não oferecido, não adorado. Na medida, portanto, que Deus se oculta e deseja ser desconhecido para nós, não é da nossa conta... Deus deve portanto ser deixado para si mesmo em sua própria majestade, pois a este respeito nós não temos nada a ver com ele, nem ele quis que tivéssemos algo a ver com ele. De acordo com Lutero, em sua misericórdia para com a humanidade, Deus cobre sua majestade. Ele faz assim não para se manter desconhecido, mas para se revelar à humanidade. Ele se veste de várias formas de tal forma que suas criaturas não são imediatamente destruídas pela sua santidade e glória. Isto se torna um paradoxo crucial para Lutero. Deus se mantém oculto enquanto simultaneamente se revela. O Deus oculto não revela aspectos de sua operação, essência ou vontade inescrutável. Mas o Deus revelado usa máscaras pelas quais interage com sua criação e faz seu amor pela criação conhecido. Por exemplo, Adão conheceu a presença de Deus pela máscara do som da brisa correndo pelo Éden. Deus usa a máscara do assento de misericórdia no tabernáculo para se revelar aos sacerdotes de Deus. Depois da ressurreição de Cristo ele se revela na Ceia do Senhor e batismo. Mas a suprema máscara que Deus usa é a encarnação. Se alguém fosse perguntar a Lutero como Deus se fez conhecido mais claramente, sua resposta seria “em Jesus Cristo”. Se alguém quer conhecer a vontade de Deus, deve ouvir a voz de Cristo. Este Deus revelado e misericordioso salvador proclama, “Eu não desejo a morte do pecador”. Este Deus revelado proclama salvação para toda a humanidade em um mundo caído. A distinção entre o Deus oculto e revelado tem um papel significante nas polêmicas em volta da visão de Lutero sobre a predestinação. Aqueles de convicção reformada precisam considerar se o próprio paradigma é ou não consistente com a teologia reformada. É este paradoxo uma útil descrição de Deus? Ou, o paradoxal Deus revelado e oculto de Lutero descreve uma deidade esquizofrênica com duas vontades diferentes? O Deus oculto deseja a morte de certos pecadores. O Deus revelado deseja que todos os pecadores vivam. Certamente a teologia reformada afirmaria com Lutero que o próprio ser de Deus está além de nossa compreensão total, que Deus não se revelou na totalidade e que ninguém conhece seu conselho secreto. Louis Berkhoff declara, “Teologia reformada mantém que Deus pode ser conhecido, mas que é impossível ter um conhecimento dele que é exaustivo e perfeito em todo sentido”. Calvino declara, “Sua essência é incompreensível; por isto, sua divindade foge além de toda percepção humana”. Hendrikus Berkhoff declara, “Do fato da revelação nós aprendemos que fora deste evento Deus é para nós o oculto”. Certamente a teologia reformada afirmaria com Lutero que um pecador perante o santo Deus, não coberto com a justiça de Cristo, fica em eterno julgamento. Certamente a teologia reformada afirmaria com Lutero que Cristo é a revelação central de Deus para a humanidade (Confissão Belga, Artigo XXVI). Certamente a teologia reformada afirmaria com Lutero que as coisas ocultas pertencem ao Senhor, mas as coisas reveladas pertencem a nós e nossos filho para sempre (Dt 29:29). Como Calvino declara, “Segue-se que ele tem outro desejo oculto que pode ser comparado a um abismo profundo... Moisés... nos convida a não apenas direcionar nosso estudo à meditação sobre a lei, mas para olhar a providência secreta de Deus com temor”. Fonte: e-cristianismo Um Canal Reformado! Sempre reformando!

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