Salmo:119.165;

Salmo:119.165; Grande paz têm os que amam a lei de Deus; para eles não há tropeço.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Ofício da Lei e seu uso, na visão calvinista


Sicut scriptum est... O primeiro ofício da lei é admoestar e repreender o homem por sua injustiça. Isso ela o faz ao demonstrar a justiça de Deus, a que lhe é agradável e, ao fazê-lo não deixa dúvidas, até convencer e condenar o homem. É necessário que o homem seja constrangido a conhecer e a reconhecer tanto a sua fraqueza de entendimento como a sua impureza, pois, de outro modo, permaneceria cego e embriagado pelo seu amor próprio. Quando, pois, ele, o homem, é posto à prova para saber se pode executar a lei de Deus, pela dificuldade que encontra, tem ocasião de ver abatido o seu orgulho, sua petulância, sua arrogância. Assim, segundo Calvino, por mais grandiosa opinião que o homem tenha, anteriormente, formado sobre si mesmo, sente-se agora debaixo de um fardo tão pesado que essa presunção acaba por vacilar, cambalear, decair e, finalmente, desfalecer de todo. Assim, conclui Calvino, sendo instruído pela doutrina da lei, o homem é afastado da sua presunção, a qual é própria da sua natureza. Enquanto o homem está preso ao seu próprio critério, imagina, em ver de verdadeira justiça, uma hipocrisia, na qual tem prazer e da qual se orgulha. Essa hipocrisia é contra a graça de Deus, instalando-se à sombra sabe-se lá de quais observações inventadas por sua mente. As concupiscências são tão ocultas, disfarçadas e enganosamente envoltas, que facilmente enganam a visão do homem. O fim de tudo isso é que, se a concupiscência não for revelada pela lei e tirada do seu esconderijo, ferirá o infeliz homem sem que ele sinta coisa alguma. Assim podemos ver, claramente, que, a lei é como um espelho no qual contemplamos primeiro a nossa fraqueza, depois a iniquidade, que dela procede, e, finalmente, a maldição lançada sobre ambas. A concupiscência cega o homem, mas, a lei o desmascara e o convence de grande transgressão, assim também como também lhe mostra mais condenável e digno de maior castigo. Calvino, nas Institutas, tratando do primeiro ofício da lei, cita as seguintes falas de Agostinho: “A lei nos ordena o que fazer a fim de que, esforçando-nos para cumprir os seus mandamentos e caindo por nossa fraqueza, aprendamos a implorar o auxílio de Deus.” “A utilidade da lei está em convencer o homem de sua fraqueza e constrange-lo a solicitar o remédio da graça de em Jesus Cristo.” “A lei manda, a graça dá forças para cumpri-la.” “Deus ordena o que não podemos fazer, a fim de que saibamos o que lhe devemos pedir.” O segundo ofício da lei é retirar da maldade, pelo constrangimento e ameaças, os que nela vivem. Os que assim vivem, não cuidando de fazer o bem a não ser por constrangimento e ameaças, merecem todo o rigor e terror da lei. Essa justiça ou retidão constrangida e forçada é necessária à comunidade dos homens, cuja tranquilidade o Senhor supre quando impede que todas as coisas se transtornem na maior confusão. Além disso, não é de todo inútil para os filhos de Deus serem eles regidos por essa forma pueril de doutrina, na época em que ainda não tem o Espírito de Deus, quando então vivem segundo a loucura da sua carne.

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