Salmo:119.165;

Salmo:119.165; Grande paz têm os que amam a lei de Deus; para eles não há tropeço.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

LEGALISTA É A VOVOZINHA...


Marcelo Lemos Quando descobrem que sou Teonomista, algumas ficam surpresas. Parece-lhes contraproducente que um defensor da Graça seja também um defensor da Lei. Para muitos críticos, ser um “teonomista” equivale a ser “legalista”. Uma radialista norte-americana , ao criticar a postura ortodoxa perante o Homossexualismo, leu o seguinte texto: “O pessoal legalista (que condena tatuagem, vídeo games, música secular e acrescentam outras regras além das regras que Deus deu na religião cristã) e teonomista (praticamente a mesma coisa dos legalistas, só que mais acadêmico, fazem leitura seletiva da Bíblia e acham que a Torah deve ser imposta como padrão de leis civis”. Legalismo e Teonomismo é a mesma coisa? É o que parece pelo que diz a interpretação acima citada. Mas não é assim. Por legalismo compreendemos o desejo e/ou esforço humano de se fazer agradável a Deus por meio da obediência estrita a Lei (seja essa Lei revelada nas Escrituras, ou acrescida com preceitos humanos). É verdade que um Teonomista pode ser um legalista, mas não é preciso ser Teonomista para ser legalista. Todo o necessário para nos transformar em legalistas é o cultivo de uma salvação meritória. Isso se comprova num fato facilmente observado: a maioria dos movimentos legalistas a nossa volta não são Teonomistas. O pentecostalismo não é Teonomista, mesmo assim, nenhum outro movimento difundiu tanto o legalismo na mentalidade cristã atual. As Testemunhas de Jeová também são legalistas, mas sua literatura está repleta de afirmações anti-nomistas. Estes grupos estão propensos ao legalismo mesmo rejeitando a doutrina Teonomista. E a explicação é muito simples: estão contaminados por uma visão meritória da salvação. Além dessa diferença fundamental, há outro abismo entre uma e outra coisa. O Teonomista defende a validade da Lei de Deus, entendida exclusivamente como aquilo que está prescrito na Lei de Deus, ou seja, na Escritura. O legalista por sua vez, assume um padrão de moralidade mais amplo, não limitando sua obediência aos preceitos da Escritura, mas assumindo preceitos humanos - em sua maioria ditados por alguma tradição religiosa específica. Por exemplo, um legalista costuma condenar o álcool e o tabaco, ainda que tais proibições sejam estranhas a Escritura. Por outro lado, eu, mesmo sendo Teonomista, não tenho  qualquer crise de consciência apreciando um bom vinho, uma boa cerveja (existe cerveja boa?), ou tabaco. Mesmo assim, numa visão populista e rasa do tema, o legalista sou eu... E estou me limitando a temas mais polêmicos, contudo, o mesmo debate já teve haver com marca de sabão, chiclete, pasta de amendoim, enfeite de cabelo, cor de gravata... Assim, já vimos duas diferenças essenciais. Primeiro, que legalismo é um sentimento ímpio, não regenerado, um anseio de mostrar a Deus “veja como seu bonzinho e mereço ser salvo”. Segundo, que é uma moralidade que extrapola os preceitos bíblicos, podendo aceitar que tradições humanas se transformem em Doutrina. O legalista se pergunta: “Que preceitos devo cumprir para ser salvo?”, enquanto o teonomista questiona: “O que um salvo deve fazer para Deus?”. Como teonomista não passo meus dias tentando descobrir o que preciso fazer para alcançar a salvação, simplesmente desejo saber se minha conduta condiz com o padrão divino. Outra diferença abismal entre as duas posturas é que o Legalista, via de regra, é paranoico, enquanto o Teonomista é um Reconstrucionista. Um legalista pode, por exemplo, proibir o cinema, a televisão, a internet, a música e o teatro; enquanto o Teonomista vai querer usar todas estas coisas para o enfrentamento cultural. Por isso, é praticamente impossível ser um Teonomista de fato e não ser Pós-milenista, ou pelo menos, um Amilenista positivo. Não sem razão sermos conhecidos como defensores de uma Teologia do Domínio. É claro que a Teonomia pode conduzir ao legalismo, caso a pessoa não tenha bem claro que a salvação é por Graça exclusivamente. E eu temo que, de fato, alguns Teonomistas não compreendem isso. Certamente considero qualquer postura anti-nomista como sendo intelectualmente indefensável, porém, jamais coloco a Teonomia como condição para a salvação de alguém. Isso, porque não somos salvos pela nossa correção intelectual, mas por nossa fé no Cristo Bíblico. Os gnósticos criam numa salvação baseada no conhecimento, nós acreditamos numa salvação pela fé. Ainda que a fé implique algum conhecimento, o conhecimento não é substituto seu. Recentemente alguém que acompanha meus textos na internet disse, ao me conhecer pessoalmente: “Nunca pensei que você respeitasse assim quem pensa diferente de você”. Quanto questionei o motivo de tal impressão, ouvi: “Seus textos são muito duros”. Bem, isso é verdade. E é fato que, as vezes, o modo como falamos pode afastas as pessoas, ao invés de persuadi-las. Não pretendo fugir da minha responsabilidade e culpa aqui. No entanto, penso ser coisa de criança confundir ideias com pessoas. E, já que ideias não são pessoas, e não são ideias adequadas que nos trazem Salvação, por qual motivo eu me atreveria a ir além do campo das ideias? Isso seria, não Teonomismo, mas puro e simples... legalismo. Por essas e outras, minha resposta ao texto lido pela radialista americana, e a tantos outros críticos é: legalista é a vovozinha!

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